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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ecologia Linguística II

Fora a inflação da produção acadêmica em língua inglesa --a qual temos, geralmente, que enfrentar em relação à qualquer tema, novo ou velho--, uma pequena busca na internet retornou as seguintes publicações em português e em espanhol a respeito da ecologia linguística. Não tenho como avaliar o material, ainda. Os títulos e os links são os seguintes:



"Se a ecolinguística é definida como o estudo das relações da língua com sua ecologia, ainda fica o desafio de articular bem o que é ecologia de uma língua e se seus diferentes componentes se relacionam diretamente com ela. O triângulo interativo que Couto propõe, ou seja, língua, território e população, é, definitivamente, um convite a uma reflexão mais acurada e empiricamente fundamentada, lembrando-nos que, entre outras coisas, tanto população quanto território são internamente estruturados. Nesta nova e importante contribuição à literatura ecolinguística, Hildo do Couto nos fornece um arcabouço para examinar a prática e a evolução linguística no Brasil de uma perspectiva nova e enriquecedora. Ele nos leva a refletir sobre como vários fatores ecológicos moldaram o português, pelo intermédio da população, bem como deram lugar a estruturas e vitalidades diferenciadas nas outras línguas do Brasil." 
(texto divulgado pelo editor. Sumário e Introdução disponíveis no link)

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"Vuit especialistes intervenen, en aquest volum, per descriure processos de naixement i de mort de llengües o de dialectes. L'enfocament és múltiple i variat: si la referència al rossellonès, a l'alguerès o a l'aragonès són mostres de desaparició lingüística, hi ha també les diferències experimentades entre llengües veïnes com el català i el castellà, o la creació de varietats lingüístiques com els pidgins o criolls, que s'exemplifiquen en les formacions del Carib, a més d'altres estudis sobre els dialectes del basc, l'asturià i el jueu-espanyo."
(texto divulgado pelo editor)

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"Ecolingüística é definida como o estudo das relações entre língua e meio ambiente, o que significa que ela toma conceitos da ecologia biológica para construir suas bases epistemológicas. Os dois passos iniciais são, portanto, verificar (1) quais são os conceitos ecológicos mais importantes e (2) quais são seus equivalentes nos estudos da linguagem, ou como são aplicados nela, entre eles, os de ecossistema, diversidade, inter-relações e evolução. A ecolingüística encara os fatos da linguagem em sua dinâmica e em suas inter-relações. Seu objeto já vinha sendo investigado por disciplinas parcelares. Ela não veio substituí-las.Tampouco tem a pretensão de estudar tudo. Praticar ecolingüística é continuar fazendo o que já se fazia antes, na área da linguagem, só que se colocando em uma nova perspectiva, holística, integradora. É uma nova postura frente a vida e ao mundo. Numa época de crescente devastação do meio ambiente, causada pelo aumento brutal da população, cada ser pensante tem obrigação de conscientizar as pessoas, a fim de tentarmos frear o processo, em nosso próprio interesse. A natureza é neutra a esse respeito. Uma maneira de assumir a nova postura é cada lingüista continuar estudando sua árvore, sem esquecer que ela faz parte de uma floresta." (texto divulgado pelo editor


Esse autor brasileiro dos livros sobre ecologia linguística, Hildo Honório do Couto, é professor da UnB. Ele tbm participa desse dossiê da ComCiência sobre linguagens:




Acho curioso como, muitas vezes, temos acesso imediato a certas fontes estrangeiras, principalmente em língua inglesa (aqueles que dominam o mercado editorial mundial das idéias) em detrimento daquelas fontes que são produzidas pelos nossos colegas (sem nenhum xenofobismo pretendido, aqui). Mas tudo isso precisa ser posto em perspectiva. Muitas vezes, a produção interna do conhecimento linguístico, no Brasil, além de mal divulgada, é apenas uma "mastigação" daquelas fontes estrangeiras. Não parece ser o caso desse autor professor da UnB, cuja publicação parece, sem ler mais do que o sumário, bastante original.

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