Enquanto a tese não sai..., deixo aqui uma ótima boa notícia: a revista Histoire Épistémologie Langage está disponível on line desde seu primeiro número. Aqui:
The very good news is that the journal Histoire Épistémologie Langage is available on line on the link above.
Filosofia da Linguística [Philosophy of Linguistics]:: Espaço para o debate de aspectos relacionados à história e filosofia (metateoria) da linguística, teoria das controvérsias, argumentação e pragmática. [A place to debate matters of history and philosophy of linguistics (methodological and metatheoretical), controversies, argumentation theory, and pragmatics.]
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Um pouco é melhor que nada?
Como não estou conseguindo me dedicar à atualização deste blog como gostaria, deixo aqui uma mensagem para meditação durante as festas de fim de ano. Afinal, quero acreditar que um pouco é melhor do que nada (em outra oportunidade prometo me deter sobre o valor desta afirmação). Aqui vai a mensagem:
"Methodology, the bread-and-butter of a scientist working in any given field, is usually spinach to those outside".(Miller, George A., 1971/1967, "Empirical methods in the study of semantics")
Em um outro post apresentarei o resultado da minha própria meditação sobre a mensagem acima.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Livro novo com um pouco de ceticismo
Aqui está a notícia do novo livro de Peter Ludlow "The Philosophy of Generative Linguistics". Confesso que não é sem uma boa dose de ceticismo que recebo a notícia. O anúncio do livro na página da OUP não é muito informativa, apresentando uma caracterísitica muito forte de propaganda do livro, eis aqui:
Peter Ludlow presents the first book on the philosophy of generative linguistics, including both Chomsky's government and binding theory and his minimalist program. Ludlow explains the motivation of the generative framework, describes its basic mechanisms, and then addresses some of the many interesting philosophical questions and puzzles that arise once we adopt the general theoretical approach. He focuses on what he takes to be the most basic philosophical issues about the ontology of linguistics, about the nature of data, about language/world relations, and about best theory criteria. These are of broad philosophical interest, from epistemology to ethics: Ludlow hopes to bring the philosophy of linguistics to a wider philosophical audience and show that we have many shared philosophical questions. Similarly, he aims to set out the philosophical issues in such a way as to engage readers from linguistics, and to encourage interaction between the two disciplines on foundational issues.
"O primeiro livro sobre a filosofia da linguística gerativa" é sem dúvida nenhuma um exagero. Há vários livros sobre o assunto, e estou tentando apresentá-los aqui neste blog aos poucos, na medida do possível. O índice do volume pode ser um pouco mais informativo do que sua descrição:
E ao final o livro traz uma entrevista com Noam Chomsky. Mais uma! Será que ele ainda tem alguma coisa a dizer sobre a gramática gerativa? Vejamos. ** O título do capítulo 6 permanece um mistério.Table of Contents
PrefaceAcknowledgementsIntroduction: The Plan1. Linguistic Preliminaries2. The Ontology of Generative Linguistics3. Linguistic Data and Linguistic Judgments4. A Role for Normative Rule Governance?5. Worries about Rules and Representations6. Referential Semantics for narrow ?-languages?7. Best Theory Criteria and Methodological MinimalismAppendix: Interview with Noam ChomskyBibliography
Primeiro uso da expressão 'filosofia da linguística'?
É bastante conhecido o livro editado por Jerrold KATZ em 1981 com o título The Philosophy of Linguistics (OUP). Muitos conhecem a expressão 'filosofia da linguística' principalmente a partir deste livro, que é uma coletânea de textos de autores que são considerados ou linguistas, ou filósofos. Nomes como Bloomfield, Harris, Quine, Sapir, Chomsky, Stich, Fodor, Hjelmslev, Soames, Langendoen, Postal e o próprio Katz são os autores que figuram na coletânea. Em outra oportunidade, prometo fazer uma descrição mais detalhada do livro e talvez até algum comentário, quem sabe avaliando a possível proposta de uma filosofia da linguística por parte do organizador do volume. Responder, por exemplo, o que significa 'filosofia da linguística' para Katz e o que ele pretende ao apresentar os textos que apresenta na referida coletânea.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Uma excelente referência em historiografia linguística
Ketel, Els Elffers-van. The Historiography of Grammatical Concepts: 19th and 20th-century changes in the subject-predicate conception and the problem of their historical reconstruction. Amsterdam/Atlanta: Rodopi, 1991. 357 p.
[Em breve um post com comentários sobre o livro]
[Em breve um post com comentários sobre o livro]
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
A proposta de Jorge Campos para uma Filosofia da Linguística: Uma alternativa para a reflexão meta-teórica da linguística no Brasil?
A reflexão e proposta de Jorge Campos (JC) para uma filosofia da linguística (FL) pode ser abordado em pelo menos quatro artigos d iautor (todos disponíveis na página pessoal do autor):
[1] “Filosofia da Linguística, Filosofia da Ciência e Metateoria das Interfaces” [16 pp.]
[2] “Filosofia da Linguística” [6 pp.]
[3] “Uma Questão de Filosofia da Linguística” [5 pp.]
[4] “Entre o Empírico e o Formal: Uma questão Problemática de Filosofia da Linguística” [5 pp.]
A partir da consideração do texto [1], a perspectiva de JC a respeito da FL pode ser sintetizada pelas seguintes características:
(a). A FL é uma sub-disciplina da filosofia da ciência (FC) (hipótese), sendo que a FC é que deve determinar os tópicos de interesse e a metodologia de investigação a ser utilizada na interpretação metateórica da ciência específica, no caso a linguística.
(b). A FL, assim como a filosofia da física e a filosofia da biologia, não interagem (o suficiente) com as ciências sobre as quais constroem metateorias; os debates entre elas (entre teorias e entre a teoria e meta-teoria) são, em geral, improdutivos;
(c). É preciso que haja unificação teórica em um campo científico para que seja possível uma filosofia da ciência específica sobre aquele campo teórico.
JC propõe, incialmente, uma definição 'fraca' para a FL:
Talvez fosse útil caracterizar a Filosofia da Lingüística como um conjunto de conhecimentos filosóficos, metateóricos e históricos a fundamentar as ciências da linguagem para que se estabelecesse essa tradição. ([1], pg. [8])
'Fraca' no sentido em que o próprio autor tem dúvidas a reséito da importância ou necessidade, ou realidade de sua caracterização. É compreensível. Toda precaução, em casos como este, é bem-vinda: “talvez fosse útil”, o que atribui à sua proposta de uma FL um caráter incerto. Em seguida, ele faz outra afirmação 'fraca' (talvez, mais fraca do que a primeira) em que afirma que além da falta de unidade entre as teorias, os debates entre elas é improdutivo. Esta percepção é fraca porque rejeita completamente o caráter dialético na relação das teorias e consequentemente a importância das controvérsias para o seu desenvolvimento.
A tentativa de uma reorganização metateórica das ciências da linguagem passa pelo levantamento de problemas cruciais sugeridos pela Filosofia da Ciência em geral e por uma tentativa de reavaliar metateoricamente os programas potenciais de investigação. ([1], pg. [8])
Problemas (ou dificuldades) que deveriam ser superados para que pudesse haver uma FL coerente (e unificada) e que definiriam propostas para programas de investigação para a meta-teorização linguística, seriam:
(i). a diversidade de concepções (DC)
(ii). o caráter interdisciplinar indefinido (CII)
(iii). as circunstâncias ricas para universalidade trivial (CRUT)
(iv). a inadequação entre descrição e explanação (IDE)
Para JC, o problema representado em (i), a diversidade de concepções propostas por programas de investigação incompatíveis, impede a elaboração de uma metateoria coerente e unificada. Ele menciona como exemplos destes programas a ‘sintaxe gerativa’, a ‘análise do discurso’, a ‘semântica formal’ e a ‘linguística cognitiva’. Para JC, estes programas propõem princípios e interpretações incompatíveis. Entre princípios sociais, cognitivos ou formais [pg. 9] é preciso haver alguma forma de correlação. Sendo o caráter interdisciplinar que relaciona conceitos subordinados a princípios incompatíveis, nas atuais propostas de programas de investigação, como estes, surge o problema representado em (ii). As propriedades cognitivas, sociais e formais precisam ser subordinadas de modo coerente em um mesmo programa de investigação que deve, por sua vez, responder aos princípios de uma meta-teoria geral (uma FC geral). Um terceiro agravante, representado pelo problema (iii), a dificuldade se produzir ‘generalizações relevantes’, sendo que os universais propostos são, geralmente, demasiadamente restritos. O problema (iv) representa a condição de desajuste entre descrição e explicação (adequação descritiva e adequação explicativa, nos termos da gramática gerativa transformacional [GGT]), mas JC não se limita à dicotomia expressa ao nível de um único programa de investigação, identificando o problema da incompatibilidade entre descrição e explicação entre programas de orientação divergentes, como o representado pelo gerativismo (com seu excesso de aparato descritivo de formalização), de um lado, e pela análise do discurso (com seu construcionismo excessivo), de outro.
Uma alternativa possível, poderíamos chamar de uma FL pluralista que procurasse ao mesmo tempo ter um caráter geral, concentrando-se sobre problemas que podem ser considerados universais, isto é, comuns e com um certo grau de relevância a todas as teorias propostas, e um caráter particular, sobre teorias campos teóricos específicos que compartilham noções com mais de uma proposta teórica. }{ JC não vê continuidade no desenvolvimento histórico da linguística e concebe os modelos teóricos como essencialmente incomensuráveis. Contudo ele propõe um programa de investigação para o tratamento meta-teórico da linguística que, segundo o autor, supera os problemas (dificuldades) apontados. Sua proposta surge da necessidade de inovação conceitual em um contexto de desenvolvimento interdisciplina. A este programa ele chama de ‘meta-teoria das interfaces’:
Dado esse contexto interdisciplinar, o que se pode desenhar para a ciência da linguagem é uma metateoria de interfaces, compatível com a história da Linguística e praticamente solução rara a compatibilizar a diversidade de modelos e encaminhar a solução dos problemas anteriormente mencionados [ver acima ‘i-iv’]. ([1], pg. [8])
Assim, a compatibilização da multiplicidade teórica estaria sujeita à necessidade de satisfazer a característica geral (a) para uma FL, isto é, a condição de disciplina subordinada aos princípios de uma FC geral. Além disso, a interdisciplinaridade necessária poderia ser implementada a partir de cada um dos elementos representados por cada um dos programas de investigação (que colocam cada um deles, um dos problemas ‘i-iv’) e sintetizados, sob a perspectiva do programa meta-teórico geral das ‘interfaces’, a partir de uma perspectiva unificada e multidimensional, representada ao mesmo tempo por modelos do mesmo objeto em instâncias diferentes, a saber, natural, formal e social [pg. 11].
Deste modo, o programa de investigação proposto por JC, denominado de ‘meta-teoria das interfaces’ abordaria este objeto unificado sob as seguintes condições [pg. 12]:
- admitindo a pluralidade teórica, incorporar a interdisciplinaridade inerente aos vários programas de investigação sobre a linguagem;
- um realismo metafísico para a condição ontológica da linguagem e, por conseguinte, para o estabeleceimento de sua apreensão cognitiva e sistematização epistêmica. Em outras palavras, o mundo “está lá” e a teoria sobre a língua trata apenas de algo que existe independente dela. Esta abordagem poderia ainda ser indentificada com um certo empirismo de senso comum;
- restringir a incomensurabilidade ao nível teórico mas desobrigá-la ao nível meta-teórico, tornando as teorias de alguma forma compatíveis;
- enfraquecimento da linguística como disciplina autônoma, diminuindo seu poder explicativo em relação às outras disciplinas com as quais ela interage;
- controlar a proliferação das interfaces através de um compromisso de limitação da construção de objetos teóricos interdisciplinares;
- incentivar o desenvolvimento das relações intradisciplinares em que teorias específicas é que definem as relações de interface interna.
***
Os textos [2] e [3] abordam praticamente as mesmas questões, com pequenos acrescimos, porém sob a mesma perspectiva. Neles JC procura, primeiro situar a discussão sobre as formas que o realismo assume em FC situando em relação à discussão sobre a natureza do objeto em linguística, ou seja, a linguagem. Para tanto ele repete a mesma seleção de propostas de investigação sobre a linguagem que havia selecionado na sua proposta de uma programa de investigação meta-teórico para a linguística no texto [1]: Saussure, Bloomfield e Chomsky, e Montague. É de se esperar que o autor vá alinhar cada uma das propostas representadas por estes autores com sua delimitação das interfaces interdisciplinares da linguística: social, natural e formal, respectivamente.
A partir deste quadro, o autor procura estabelecer um quadro de referência funcional em que a linguística poderia servir de campo de conhecimento fundamental para uma meta-teoria geral da ciência. As funções que autor identifica como tradicionalmente relacionadas à linguagem, são: de conhecer, de pensar e de comunicar.
Nestes dois textos, praticamente iguais, JC trata da linguagem enquanto função do pensamento, cujo estudo para ele tem sido negligenciado na abordagem que os programas de investigação identificados acima realizam. No que diz respeito à sua proposta de uma programa de investigação meta-teórico para a linguística, as diretrizes continuam basicamente as mesmas, em relação ao texto [1].
***
Já no texto [4], o autor aborda uma relação problemática na teoria linguística e que, consequentemente assim tbm se constitui para a reflexão meta-teórica. Como é perceptível já no título do artigo, trata-se da relação entre a condição daquilo que é definido e entendido como ‘empírico’, de um lado, e como ‘formal’, de outro, para a teoria e análise linguísticas. Depois de uma série de "suposições", que assumem a forma de postulados (A, B, C) [para mim B parece anterior a A]), questões (D), e um mixto de hipóteses e pressupostos (E, F) A proposta então se resume à investigação sobre a natureza do objeto proposto, a metodologia para abordar estes objeto e a reflexão (crítica, avaliação, interpretação) de suas relações interdisciplinares (efetivas e potenciais). Para ele, a consequência é que para uma FL a questão fundamental seria a "consideração sobre a natureza do objeto e da metodologia da teoria da linguagem, tópicos que deveriam constituir o que se poderia chamar de Filosofia da Lingüística" (p. 1).
[Continua...]
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